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CONHECIMENTO DOS AÇORES ATRAVÉS DA LITERATURA

 

 

 

 

Palavras do presidente do Instituto Açoriano de Cultura

     na abertura da IX Semana de Estudos (1988)

 

Como presidente do I.A.C., cabe-me a honra de dizer algumas palavras de abertura da IX Semana de Estudos, que a nossa instituição promove, sob o tema de O conhecimento dos Açores pela Literatura.

O I.A.C., nascido em Angra do Heroísmo no ano de 1954, esteve desde sempre marcado pelas preocupações da modernidade e do desenvolvimento. Moveram-no, na hora da fundação, como ainda agora, intuitos de universalidade e um grande amor aos Açores. Tudo o que diga respeito ao Homem em geral e ao açoriano em particular nos interessa e cai sob a nossa curiosidade.

As semanas de estudo foram um dos caminhos que o I.A.C. lançou mão para dar forma aos seus intuitos e aos seus programas. Durante 30 anos a nossa associação promoveu semanas de estudo e reflexão sobre temática variada que fazem, no seu conjunto, o melhor contributo que poderíamos dar para o desenvolvimento das nossas ilhas.

Podemos mesmo afirmar que numa primeira fase se incluem as cinco semanas de estudo decorridas entre 1961 e 1966. Tempos difíceis da vida colectiva em que o I.A.C. foi uma voz firme e uma luz na escuridão. Com um programa de desenvolvimento global e centrado na pessoa humana, abrangeu pelo seu magistério todas as áreas consideradas prioritárias para o arranque duma sociedade moderna nas ilhas. Aos seus promotores, do qual destacarei o primeiro presidente do I.A.C., monsenhor Machado Lourenço, ficou certamente o amargo gosto da derrota, uma vez que tiveram de desistir em 1966 e não conseguiram sequer encontrar os apoios para a publicação dos trabalhos apresentados à 4ª e 5ª semanas. Mas, visto à distância, o seu labor e a sua persistência ficaram como marcas muito profundas e a mais séria tentativa de compreender as ilhas e as suas limitações, além da indispensável necessidade de, pelo pensamento e pela acção, dar aos Açores as ferramentas indispensáveis para trazer o arquipélago ao mundo moderno, que decénios de mesquinhez interna e abandono externo nos haviam afastado, parecia que inexoravelmente.

Só em 1978, o I.A.C., com outra direcção, voltou a encontrar força anímica para prosseguir na senda das semanas de estudo e no urgente compromisso de trazer à reflexão dos cidadãos problemas e vivências colectivas. Duas Semanas se levaram a efeito, uma, em 1978, sobre a Autonomia, a cuja montagem prática então se procedia, e outra, em 1982, sobre a problemática da reconstrução das ilhas destruídas pelo horrível sismo de 1 de Janeiro de 1980.

Com a VIII Semana de Estudos, do ano passado, subordinada ao tema a Autonomia como fenómeno cultural e político, iniciou a actual direcção do I.A.C. uma série de debates sobre a Região que prosseguem agora com esta IX semana, em que nos preocuparemos com o Conhecimento dos Açores pela literatura.

Os alicerces do I.A.C. continuam a ser os mesmos: a modernidade, a universalidade, o desenvolvimento visto pelo prisma do humanismo cristão, O Homem, o Homem açoriano antes de mais, continua a ser a nossa preocupação. Revemo-nos nos 30 anos de trabalhos e dedicações dos que nos antecederam e pomos os olhos no futuro, certos que podemos continuar a contribuir para uns Açores abertos ao mundo e preocupados em construir uma sociedade em progresso, justa e humanizada. […]

 

José Guilherme Reis Leite
In Conhecimento dos Açores através da literatura
Angra do Heroísmo, I.A.C., 1988.

 

 

 

 

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1.ª edição: http://lusofonia.com.sapo.pt/
acores/acorianidade_leite_1988.htm, 2008.
2.ª edição: http://lusofonia.x10.mx/
acores/acorianidade_leite_1988.htm, 2016.